A VIDRAÇA
- O Alquimista

- 21 de dez. de 2021
- 3 min de leitura

Ali na frente, uma casinha com uma pequena janela, ofuscada pelas cortinas tênues esvoaçantes, mantinha um segredo por detrás da vidraça que não se abria para o mundo, mas observava os detalhes de todos os dias, guardando para si cada visualização que adquiria, para jamais se esquecer de tamanha grandeza que por aquela vidraça deixa transparecer.
Com singela beleza, pássaros cantarolavam, flores perfumavam, deixando o redor da pequena casa deslumbrada aos olhos que por ali passavam.
Uma jovem permanecia ali, fechada para o mundo, observando-o apenas por aquela pequena vidraça, tentando imaginar como seria poder correr por aquelas colinas, junto as crianças que por ali brincavam.
Fazia da sua vida uma história, provando da alegria que vinha de fora, sem ao menos provar de como poderia ser.
Algumas crianças se deparavam com aquele olhar que vinha da vidraça, não entendendo o porquê de ali permanecer, sem nunca deixar se ver.
Um belo de um dia a campainha saiu do seu silêncio, procurando por alguém que gostaria de junto a elas poder estar para correr e brincar.
A porta se abriu e uma senhora veio atender, recebendo com surpresa aquelas crianças que gostaria da filha conhecer.
Convidou-as a entrar para um bolo poderem desfrutar, o que foi retribuído de imediato, pois como toda criança, adoravam guloseimas feitas de açúcar que preenchia a alegria de todas elas para poderem voltarem a brincar.
De imediato, uma delas pediu para que sua filha viesse junto a eles para o bolo provar, o que a senhora atendeu de imediato, indo ao quarto busca-la.
Após alguns minutos uma linda jovem apareceu em sua cadeira de rodas, toda tímida, com vergonha do impacto que iria causar, pois jamais teve algum amigo que se importasse com ela, devido a sua restrição.
As crianças que ali estavam, se impressionaram com a visão, mas nem por isso deixaram de cumprimentá-la e pedir que sorvesse um pedaço do bolo, pois estava maravilhoso e deveria comer para seu estomago satisfazer.
Passaram ali quase toda a tarde, conversando com a jovem, que era muito inteligente, apesar de viver em uma cadeira de rodas. Ela adorava as leituras e as aulas que sua própria mãe as dava, demostrando que mesmo sem poder brincar lá fora, se entregava nas histórias que aprendia nos livros, conseguindo sentir cada uma delas.
As crianças se empolgavam e quiseram ouvir tais histórias, passando a frequentar aquela singela casa para ouvir a jovem contá-las.
Um dia, as crianças pediram para a mãe da jovem deixar sua filha ir com elas brincar do lado de fora, mesmo que para isso, elas improvisassem um local para que ela pudesse se sentar e com elas poder estar.
A mãe resistiu um pouco, mas depois acabou deixando que elas a colocassem debaixo de uma arvore, onde pudesse vê-la.
A menina se sentou e muito feliz ficou, pois, mesmo sem poder correr, se satisfazia em ali estar, sentindo a alegria de todas elas no ar.
Ela era uma mocinha feliz, que nunca se sentiu triste por ter as pernas sem movimentos, pois encontrava nos livros toda a alegria necessária.
Cresceu neste ambiente, tornando-se uma mulher culta e muito inteligente, sendo procurada por muita gente para ensinar seus filhos a ler e escrever, o que fazia com todo o prazer.
Ao seu lado permaneceu uma daquelas crianças, que um dia adentrou sua casa, curiosa pelo olhar que passava pela pequena vidraça, se tornando seu braço direito, ajudando em tudo que necessitava, como verdadeira irmã.
O Criador, unindo as almas afins para um futuro feliz!


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