CONFIANÇA
- O Alquimista

- 14 de jan. de 2022
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Refugiada em um declive, quase debaixo de uma árvore, coberta de folhas e raízes, por uma fresta minúscula notava-se um quadro ligado a insanidade do homem.
Ainda recordo o barulho da explosão, gerando medo de onde iria a bomba cair e agredir quem ali estivesse, levando tudo pelos ares, destruindo toda construção, em piedade pelos que tivessem o azar de no ponto exato estar.
Grandes pilhas de entulhos se projetada, alterando o quadro que antes encantava, mostrando o poder que o homem tem de construir para depois tudo desfazer.
Rolar através dos entulhos, achar objetos perdidos era o que mais se fazia, pois a fome falava alto, devido ao ambiente que se construía.
Depois de procurar, algumas frutas secas encontrávamos, saboreando como se fossem as mais gostosas, sem se atentar pela sujeira que estava envolta.
Perdemos muitos amigos e parentes, restando poucos conhecidos que se escondiam quando algum oficial se aproximava, pelo medo de sermos capturados e agredidos, acabando como escravos para satisfazer tamanha loucura que existiam naquela gente.
Enquanto aquele arvore em pé estivesse, suas raízes serviam de refúgio, impossibilitando qualquer contato com um ser maldoso.
Ali fiquei por um bom tempo, como se fosse meu doce lar, apesar de ser apertadinho, era preciso de adaptar até essa guerra acabar.
Rezava e pedia a Deus que aquela árvore ficasse em pé, abrigando em seu seio meu coração desesperado e solitário, restando somente ela como família e que dava proteção contra aquele mundo perdido.
Tinha horas do dia que se fazia muito silêncio e de lá saia, para olhar o céu e sentir os raios do sol aquecer minha pele, fazendo por alguns minutos, tudo esquecer.
- Onde estavam as flores que perfumavam aquele lugar?
Tinham desaparecidos, restando apenas entulhos de velhas construções que caíram, sufocando-as, mudando todo o cenário, deixando tudo acinzentado, cheiro de poeira sem nenhuma beleza.
Um belo de um dia, notei que o barulho deixou de existir, permanecendo apenas o silêncio, sem nenhum oficial passar por ali.
As poucas pessoas que estavam escondidas nos escombros foram aparecendo devagar, se perguntando se tal guerra tinha acabado. Parecia que sim, pois já fazia alguns dias que não se ouvia qualquer explosão e felicitava os nossos corações.
O que fazer agora, perguntávamos uns aos outros. Melhor procurar um caminho que desse em algum rio, para poder um bom banho tomar, pois estávamos muito sujos pelos escombros morar.
Até então, a única água que tínhamos era a da chuva, o que guardávamos em vasilhas sujas que achávamos no meio dos entulhos, para que não morrêssemos de sede.
Nos reunimos e pegamos uma trilha para dar continuidade na vida, reconstruindo nossos caminhos, apesar da situação que padecíamos.
Certos que tudo ia ser diferentes, partimos em frente, corações esperançosos por desfrutar do ar livre, sem nenhum oficial para vigiar.
Depois de muito caminhar, encontramos um rio que corria, apresentando água limpa o que fez todo mundo se limpar.
Ali construímos uma pequena aldeia, com tudo que conseguimos recolher dos entulhos que achávamos pelo caminho, terminando por formar uma família, considerando as partes que restaram das muitas que acabaram.
Não é fácil viver em uma guerra, ainda mais quando vemos a insanidade do homem, que se acha superior a tudo, cometendo as maiores calamidades contra o seu próprio irmão, quando este está longe de Deus.
Uma coisa aprendi com essa lição, que não se pode perder a confiança em Deus, pois mesmo nas maiores dificuldades, habitando os lugares inimagináveis, encontramos uma forma de viver e superar a situação, pois para o Criador, o mais importante é seguir em frente, superar as dificuldades e atingir uma boa escalada, mesmo que para isso, os desafios sejam grandes.
Nosso Criador, sempre no comando de toda situação.


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