DIVINA PRESENÇA
- Chico Xavier

- 11 de mar. de 2022
- 1 min de leitura

Quando nasceste na Terra, assemelhavas-te ao pássaro semimorto que a tormenta
arremessa em esquecida concha da praia, mas apareceu sobre-humana ternura num
coração de mulher e foste, pelas maternas mãos, lavado e alimentado milhares de vezes,
simplesmente por amor, a fim de recuperares a consciência ; quando o véu da ingenuidade
infantil te empanava a cabeça, afligindo os que mais te amavam, o professor percebeu a
inteligência que te fulgia no olhar e entregou-te a riqueza imarcescível da escola; nos dias da
primeira mocidade, quando a despreocupação parecia anular-te a existência, amigos
notaram o caráter que te brilhava nos gestos e integraram-te a vida nos dons do trabalho ; na
enfermidade, quando muitos duvidavam da tua capacidade de reerguimento, o médico
verificou que uma força sublime te atuava nas mais íntimas células e estendeu-te, confiante,
o remédio eficaz ; nas horas difíceis de incompreensão, ouviste, em meio das próprias
lágrimas, inarticuladas canções de conforto e esperança, exortando-te à paciência e à
alegria...
Por onde segues, assinalas a luz invisível que te clareia todos os pensamentos... Se sofres,
é o apoio que te resguarda; se erras, é a voz que te corrige; se vacilas, é o braço que te
sustenta, e se te encontras em solidão, é a companhia que te consola...
Aprendamos a amar e a respeitar esse Alguém, como quem sabe que estamos nele como o
fruto na árvore, e, se caíste tão fundo que todos os afetos te hajam abandonado, mesmo ai,
nas dores da culpa, recorda que a justiça te golpeia' e purifica em direitura do supremo
resgate, porque nunca estiveste distante da presença de Deus.


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