NO SANTUÁRIO INTERIOR
- ESPÍRITO CARLOS

- 9 de jun. de 2021
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Meu Senhor, Pai de Bondade, De luz e de Amor sem fim, Não me abandones à treva Que trago dentro de mim. Não me deixes repousar No leito em flor da ilusão, Dá-me a bênção luminosa De tua repreensão. De espírito encarcerado Nos débitos que inventei, Tenho sede do equilíbrio Que nasce de tua lei. Controla -me a aspiração De ganhar e possuir, Sou teimoso e invigilante, Ensina -me a discernir. Entrecruzam -se, em meu peito, Divergências, dissensões... Não me relegues ao jugo De minhas imperfeições. A chaga alheia, Senhor, Sei curar, lenir ou ver, Mas sou tardo de visão Na esfera de meu dever. Sou ágil no bom conselho Ao coração sofredor; Todavia, surdo e cego, Nas dias de minha dor. Nas orações, quase sempre, Sou cópia dos fariseus, Sentindo -me, presunçoso, Dileto entre os filhos teus. Não escutes, Pai Bondoso, Os rogos e brados mil Da ignorância que eu trago, vaidosa, bulhenta, hostil... Não satisfaças, no mundo, O orgulho atrevido e vão Que me faz triste e abatido Nos tempos de provação. Põe freios duros e fortes Ao meu serviço verbal, Muita boca leviana Tem dado guarida ao mal. Meus sentidos, enganados, Perturbam -me, muita vez. Às emoções desvairadas, Por compaixão, não me dês! Que a tua vontade, enfim, Pronta a prever e prover, Seja em tudo e em toda a vida A minha razão de ser. Meu Senhor, Pai de Bondade, De Luz e de Amor sem fim, Não me abandones à treva Que trago dentro de mim. 45 NOTAS A verdade é alguma coisa. Sagrada, bela e infinita... Só o amor sabe dizê-la Conforme deve ser dita. Se queres luzes mais altas, Mais ditosas e mais ricas, Olvida o mal que te fazem E esquece o bem que praticas. Reúnem -se os generais Na guerra, em busca da glória, Mas o Todo -Poderoso É quem decide a vitória. Quem só palavras semeia, No campo de cada dia, Recolherá simplesmente O sopro da ventania. O homem que se aborrece Clamando fastio, a esmo, Encontrou tempo excessivo Para cuidar de si mesmo. Não é a erva daninha Que mata o grão promissor, Mas a triste negligência Que mora no lavrador. Amizades e conselhos, Livros, remédio e comida Devem chegar até nós De procedência escolhida. Quem se compraz com a lisonja Desce a escuro sorvedouro, Bebendo o veneno e a morte Em taças de mel e ouro. Competência e fidalguia, Miséria e desolação, – Todas dependem na vida 46 Do toque da educação. Quem para justificar -se Alheias faltas reclama, Decerto, pensa lavar -se Em banhos de lodo e lama.


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