O REFLEXO DE UM ROSTO EM UMA GOTA DE CHUVA
- O Alquimista

- 30 de nov. de 2021
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Pequenos passos infantis, correndo pelos becos de Londres, suja de lama, uma criança olhava as gotas da chuva bateram no chão, despedaçando-se em várias partes para todos os lados.
O que dizer de uma pequena gota que caia, sem se importar onde ela bateria, simplesmente de dividia em várias partes para o chão molhar.
Jovem criança maltrapilha, corria atrás de alimentos pela cidade afora, pensando na mãe e nos irmãos que estavam na casa aguardando um pedaço de pão, para saciar a fome que doía o estomago.
Embora muito pequena, tinha vantagem sobre várias outras crianças, pois era ligeira e passava pelos buracos pequenos, se escondendo daqueles velhos verdugos que não se importavam com elas, mas queriam vende-las como escravas, avantajando-se do dinheiro oferecido por cada cabeça capturada, lucrando sobre as lágrimas do desespero que sentiam, ao saber que nunca mais ao lar voltariam.
Pequena criança ligeira, subia e descia as alamedas, escondendo-se e arrecadando alimentos em suas vestes, sem deixar que ninguém percebesse, pois não poderia deixar seus irmãos sem o pedaço de pão.
Um dia, pelas suas andanças, foi capturada e levada, ao som de muito choro, sabendo que seria quase impossível ao lar retornar, pois eram vendidas para outras cidades, acabando por escravas de famílias ingratas, tendo que obedecer para não sofrer, mesmo que o serviço fosse pesado, teria que fazer com prazer.
Chegando a casa destinada, se viu perdida, sem saber onde estava, sendo levada para um dormitório que servia de abrigo aos cavalos, dividindo com eles o espaço, tendo por cama o capim seco e parte do céu estrelado.
Chorava todos os dias, de tanta saudade da sua família, mas tinha que obedecer e cumprir com as ordens que recebia, pois não queria apanhar e se machucar, mesmo que para isso, tivesse que tudo suportar.
Prometia para si mesmo, que um dia voltaria a ver sua mãe e seus irmãos, que ficaram muito longe de onde estava, mas permaneciam perto de seu coração.
Aos poucos se acostumou ao local, conhecendo outras crianças que ali estavam para fazer as mesmas funções que ela, sofrendo a ausência da solidão que abrigavam seus corações.
Ali elas cresceram, unidas e empenhadas, conheceram uma jovenzinha que os livros dominava.
Tal esperteza despertaram nas outras meninas a vontade do saber, o que tal jovenzinha se propõem a ensina-las a ler.
Todas as tardes, depois do serviço, ali a jovem letrada vinha com seus livros, escondidos de seus pais, ensinar cada uma delas a ler e escrever.
Tal empenho desta jovem, fez com que as demais crianças conquistassem uma outra realidade, como se nascessem novamente, pois começaram a entender melhor o mundo, conquistando espaços com empregos remunerados, pois acabaram fugindo à busca de um outro abrigo, que pudesse oferecer condições melhores para se desenvolver, fora daquele martírio de se sentirem escravas, mesmo que não fosse ali uma senzala.
No meio de tanta dor, uma flor ofertada pelo Criador, fez mudar a vida de muitas jovens que não tinham nenhuma perspectiva de uma nova vida, se não aquela que viviam longe dos livros.
Conhecimento é a base pra a transformação de qualquer irmão!


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