O VESTIDO DE RENDA
- O Alquimista

- 3 de jan. de 2022
- 3 min de leitura

O andar das carruagens fazia barulho pelas ruas frias de Paris.
Afinal, já era meados de um ano qualquer, onde o frio era intenso e andar pelas ruas, congelava os pés.
Tão frágil como as asas de um pássaro, seguia por lá uma menina, cujos olhos deliravam pelos vestuários das damas da corte, que não deixam de ir e vir para as compras sempre fazer.
Elas sempre estavam atrás de algum vestido novo, para um baile poder frequentar, pois a vestimenta era muito importante para o encanto causar.
Tal criança se empolga em ver as senhoras no comércio adentrar, escolhendo os vestidos mais caros para o seu dinheiro deixar.
Ocorre que em uma dessas andanças, tal criança se deparou com uma jovem senhora que não gostava do rosto mostrar, dando a entender que estava ali por obrigação e não por satisfação, pois carregava singela tristeza em seu semblante, cujos olhos não se atrevia a levantar, para nenhum vestido poder olhar.
A criança a observava como se fosse sua velha conhecida, pois emitia tal simpatia, independentemente de estar ali, sem ter gosto pelo que iria adquirir.
Embora a diferença da classe social, tal jovem senhora lançou seu olhar para a direção daquela criança, que emitia uma enorme satisfação em poder ali estar, sem nada poder comprar.
Essa senhorita saiu da loja, logo que pode, indo na direção daquela criança que pela vitrine a observava.
Se achegou e perguntou o que ela ali fazia, uma vez que a tarde estava muito fria e nem muitas cobertas pelo corpo ela trazia.
Tal criança emitiu um sorriso amarelo, dizendo que gostava de apreciar as pessoas, mesmo passando frio, o que não dava muita importância, pois se enchia de alegria com o encanto que cada uma emitia, adquirindo um vestido novo, o que ela jamais conseguiria.
Acontece que essa senhorita para a loja retornou, levando tal criança pela mão.
Não foi muito apreciada pela encarregada, pois era uma criança maltrapilha, encardida, que exala cheiro ruim e podia afastar seus clientes que estavam por ali.
A senhorita não deu atenção para tal situação, pedindo que a menina escolhesse o vestido que quisesse, pois iria dar-te de presente com todo prazer.
A criança ficou envergonhada, mas buscou com o olhar um vestidinho cheio de renda que a fazia encantar.
A senhorita saiu da loja com um certo brilho no olhar, pois sentiu muita alegria em poder satisfazer o coração de uma bela jovenzinha.
Chegou em sua casa como se fosse outra pessoa, passando a ajudar muitos maltrapilhos que viviam pelas ruas, discretamente, pois não queria que ninguém soubesse, apenas a sua velha e boa ama de leite.
Tal jovem criou alegria de viver, sabendo que muitos corações estavam alegres, pois iriam ter o que comer.
O tempo passou e seu velho pai faleceu, deixando toda sua herança para sua única filha, que passou a viver ali, com sua ama de leite, servindo a população, sem nenhuma pretensão.
O tempo passou e ela jamais se interessou em fazer alguma união, pois seu tempo era dedicado a abençoada caridade que fazia com suas mãos.
Construiu abrigos para crianças maltrapilhas, abrigando-as do perigo das ruas, fornecendo total estrutura para que todos estudassem e conquistasse um bom lar com uma ótima família.
Teve a sua vida dedicada as pequenas crianças sem lar, e pensar que tudo começou com uma pequena garotinha que um vestido recebeu de suas mãos, fazendo tocar fundo o seu pequeno e doce coração.
Que todos possam aprender a lição de cuidar de um irmão, mesmo se for através de uma palavra amiga, um conforto oferecido, um olhar amigo, fazendo-o sentir útil para nesta terra poder permanecer.


Comentários