PALAVRAS DE ESPERANÇA
- Chico Xavier

- 28 de fev. de 2022
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Se não admites a sobrevivência após a morte, interroga aqueles que viram partir os entes
mais caros.
Inquire os que afagaram as mãos geladas de pais afetuosos, nos últimos instantes do corpo
físico; sonda a opinião das viúvas que abraçaram os esposos, na longa despedida,
derramando as agonias do coração, no silêncio das lágrimas; informa-te com os homens
sensíveis que sustentaram nos braços as companheiras emudecidas, tentando, em vão,
renovar-lhes o hálito na hora extrema; procura a palavra das mães que fecharam os olhos
dos próprios filhos, tombados inertes, nas primaveras da juventude ou nos brincos da
infância... Pergunta aos que carregaram um esquife, como quem sepulta sonhos e
aspirações no gelo do desalento, e indaga dos que choram sozinhos, junto às cinzas de um
túmulo, perguntando por que...?
Eles sabem, por intuição, que os mortos vivem, e reconhecem que, apenas por amor deles,
continuam igualmente a viver.
Sentem-lhes a presença, no caminho solitário em que jornadeiam, escutam-lhes a voz
inarticulada com os ouvidos no pensamento e prosseguem lutando e trabalhando
simplesmente por esperarem os supremos regozijos do reencontro.
***
Se um dia tiveres fome de maior esperança, não temas, assim, rogar a inspiração e
assistência dos corações amados que te precederam na grande viagem. Estarão contigo, a
sustentarem-te as energias, nas tarefas humanas, quais estrelas no céu noturno da saudade,
a fim de que saibas aguardar, pacientemente, as luzes da alva.
Busca-lhes o clarão do amor, nas asas da prece, e, se nos templos veneráveis do
Cristianismo, alguém te fala de Moisés, reprimindo as invocações abusivas de um povo
desesperado, lembra-te de Jesus, ao regressar do sepulcro para a intimidade dos amigos
desfalecentes, exclamando, em transportes de júbilo: "A paz esteja convosco."


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